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Jogo do amor
Para mim, é muito estranho falar de amor. Não que eu não tenha sentido, muito pelo contrário. Contrariando tudo o que eu era no passado quando eu estava apenas aprendendo sobre a vida, eu consigo, estranhamente, controlar o que eu sinto. Eu não sei se isso é bom, eu só sinto quando eu quero, monto todos os personagens e entrego a cada um, o meu script mental de tudo como eu gostaria que fosse.
Quando o que está no roteiro não dá certo, o que significa sempre, para mim é tão fácil que eu me assusto. Eu amasso e jogo fora. A minha decepção não é pelo romance que não deu certo ou o amado que não me ama, muito menos porque não aconteceu como eu queria. A tristeza é de acontecer o oposto do esperado.
Eu não ligo se sair alguma coisa errada, se nem todos os personagens agirem como eu programei. Se cada palavra for dita com a paixão e a atenção que eu desejo, o conteúdo não me importa tanto. Talvez se as coisas acontecessem de formas diferentes do previsto, de maneira que até me fizesse um pouco surpresa, acho que seria até muito mais interessante.
Eu não posso prever o que cada pessoa vai sentir e o que cada um vai dizer. Não consigo fazer com que a outra pessoa se apaixone exatamente do jeito que eu quero, mas o mais estranho de tudo é que eu consigo, sem dúvida nenhuma, fazer dos meus sentimentos o que eu quero e o que a outra pessoa espera, se eu souber o que é. Consigo controlar meu sentimento como se fosse um fantoche.
Consigo amar e desamar como um passe de mágica se a pessoa não estiver disponível ou se eu me der conta de que ela não era o personagem que eu inventei para que nós dois déssemos certo. Será que estou errada em fazer isso? Será que eu posso me magoar assim? E se na pior das hipóteses, eu magoar a outra pessoa assim? Isso tudo é um jogo? Eu estou ganhando? E se saber jogar significa que eu não sei amar?
Categoria: Meus Textos
Escrito por Gabi Pagliuca às 11:54
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Esperança um pouco menos distante.

Com tantas pessoas por metro quadrado nas grandes metrópoles, é inevitável que, com freqüência e de várias formas diferentes, elas sintam seu espaço invadido e percam a paciência: no trânsito das 19 horas; quando um menino de rua assalta alguém ou quando duas pessoas querem a mesma última caixa de sabão em pó em promoção. A melhor solução não é ficar acomodados com o caos e sim pensar em como melhorar para que todos se beneficiem.
A primeira atitude para que a violência acabe é urbanizar melhor e industrializar mais o interior dos estados. O governo deveria implantar faculdades públicas de qualidade e incentivar as particulares a implantarem campus também em mais dessas cidades. Além do terceiro grau, elevar o nível da educação do primeiro e segundo também. Com essas medidas, os jovens poderiam ter mais alternativas para “criarem raízes”, diminuindo, em longo prazo, a aglomeração nas capitais.
Ainda com as pessoas melhor distribuídas pelas cidades, existem as que não conseguem fixar-se em um emprego por muito tempo. Fatores para o desemprego são vários: idade; pouca ou nenhuma formação; pelos dois itens anteriores ou por falta de oportunidade e perseverança. Para que todos consigam trabalhar, é necessário que o terceiro grau seja acessível para todos, afinal de contas, quase não existem mais trabalhos nas metrópoles que a pessoa use totalmente sua força física por causa da tecnologia das máquinas. Quando não houver mais aglomeração e a maioria das pessoas estiverem empregadas, será necessário investir de vez na educação infantil para que o ciclo não se quebre e os futuros jovens e adultos façam boas faculdades e tenham melhores empregos.
Mesmo se todo mundo estiver estudando e empregado, sempre haverá pessoas que se acomodam com o jeito que estão e isso teria que mudar para combater a violência urbana, porque se, por exemplo, há pessoas que não querem trabalhar e roubam, mesmo que para se sustentar, o ciclo de boa convivência estará sendo quebrado. Mas, quanto mais dura a pena a que essas pessoas forem submetidas, pior será quando elas saírem, então uma boa alternativa é uma pena mais construtiva do que severa. Essas pessoas teriam que passar por uma avaliação psicológica mais aprofundada, ter uma profissão e ser inseridas no mercado de trabalho, se não o ciclo vicioso vai continuar.
Acabar com a violência urbana é uma tarefa que exige muito estudo e investimento. Exige também que cada pessoa coopere, o que é o mais difícil por vivermos em um mundo individualista. Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, ao desconcentrar a população das capitais, podem-se aliviar problemas como o trânsito, o desemprego e a pobreza. Educando melhor as crianças, estaríamos abrindo portas para adultos empregados, que sabem pensar e criticar e que possam passar seu conhecimento para quem tem algum tipo de privação. Dando oportunidade para que todos possam desfrutar de seus direitos de liberdade e igualdade e nos tratando, como consta na Declaração dos Direitos Humanos, com espírito de fraternidade, sem precisar invadir o espaço alheio de nenhuma forma.
Podem me destruir com as piores críticas possíveis. Abusem de mim. Façam-me chorar e gritar. Eu mereço.
Categoria: Meus Textos
Escrito por Gabi Pagliuca às 19:33
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" How you doin' " para moças.
Já imaginou você numa situação assim: você encontra um cara lindo em algum lugar, vocês se olham, rola o interesse dos dois, mas ambos têm vergonha de conversar porque vocês estão sei lá, num ônibus ou metrô? No meio da rua? Na aula de natação? Como você reagiria se ele falasse com você é fácil de imaginar. Mas e se você falasse com ele, como ele reagiria? Será que você precisa ter medo de falar com um cara legal só porque você é a garota. Acho que não. Confira algumas dicas importantes de como fazer os primeiros contatos com o menino gatíssimo que avistou sem querer e fica super-envergonhada, pelo menos nos primeiros instantes, em falar com ele. - Procure perceber se tem alguma dica se o cara tem namorada. Alianças em uma das duas mãos é sinal de uma suposta namorada, portanto é bom não arriscar. Se você já conhece mais ou menos o cara e acha que está solteiro pode olhar no orkut para checar ou perguntar para os amigos também é uma boa. Se ele tiver namorando e você ainda quiser se aproximar, se aproxime como amiga, não há nenhum problema nisso (eu acho). - Mesmo se o cara não tiver namorando, ele pode não está procurando alguém ali naquele lugar ou naquela hora, não force as coisas. - Não é fácil conversar com alguém que a gente não conhece. É claro! Quando eu comecei a pensar dessa maneira, talvez uma janela com luz tenha aberto na minha mente: porque temos vergonha, exatamente? Se você está no intervalo da sua aula ou na academia e fala com algum menino que você acha bonito, ele realmente não vai achar que você está dando em cima dele, necessariamente, só por causa de um assunto (ao menos que você já chegue o convidando para sair ou quase isso). Ele não tem como saber se você sai falando com todo mundo que você vê só porque você gosta de conversar ou se é porque você gostou dele especificamente e está tentando se aproximar com segundas intenções, ele nunca saberá. Ele não tem como saber se você sempre quis falar com ele, que sonha com ele todos os dias ou se tem uma foto dele no seu fundo de tela do computador. Simplesmente... Ele não tem como saber disso. E isso é muito bom para nós. O pior que pode acontecer é vocês não terem assunto, o que é chato, mas só chato. Depois ele pode te achar chata, mas se você for você mesmo e ele te achar chata, o mande para a me*** e vai procurar outra pessoa mais interessante, porque você é muito legal. Sentir vergonha é super normal quando você quer falar com alguém e não consegue, mas por experiência própria... só tem uma maneira de perder essa vergonha e, infelizmente, é tentando superá-la. - Sempre surge aquela dúvida: por mais desinibida que eu possa ser nunca sei que assunto conversar com uma pessoa que eu acabo de conhecer. Normal. É claro que depende do lugar onde você esteja, por exemplo, se o cara é da sua escola e estão no começo do ano, pergunte para o garoto alguma coisa sobre as matérias, a escola ou sobre os professores, depois disso pergunte o nome dele e pergunte sobre coisas sobre ele, mas não faça um questionário, só as perguntas básicas e se o cara for legal ele vai continuar o assunto com você. Se for alguma aula extra, como natação, fale que você está começando e peça algum tipo de conselho se ele puder ajudar. Tente descobrir se vocês têm amigos em comum, se têm mais ou menos os mesmos gostos. Vá fazendo perguntas que tenha a ver com o assunto e para você saber mais ou menos qual é a dele. Às vezes rola um sentimentozinho entre você e ele, às vezes não. O fato é que você nunca vai saber se não tentar descobrir. - É normal se sentir rejeitada caso ele não corresponda às suas expectativas. Você tem certeza que ele vai falar com você, mas ele só responde e fica por isso. O pior de tudo é que já estamos no século XXI e ainda tem homens que se sentem mal quando uma mulher puxa assunto. Na verdade, as reações são as mais variadas possíveis. Pode existir o envergonhado, o confuso, o nervoso, o chato, o fofo, o engraçado e até o tarado, cuidado! Parece que o que eu vou falar é clichê, o que é verdade, mas se ele te rejeitar, não se sinta mal, o problema não é você, é ele!!. Na verdade, se sinta bem porque você é do tipo de mulher que corre atrás do que quer. Pense em uma festa onde vários meninos querem beijar qualquer menina que passe pela frente deles, claro que você não é como eles, mas imagine: quando um menino pede para te beijar e você diz não, o problema não é realmente com ele, as vezes pode ser que sim, mas se um cara tão bonito quanto você pede para ficar com você e você não quer, é porque você realmente não quer. Lembre-se, você não é obrigada a ficar com quem você não quer e eles também não são. Melhor que seja assim! - O primeiro passo foi dado e está na hora de mostrar quais suas intenções. Se você for muito tímida, pegue o MSN e/ou orkut dele. Se você não for tão tímida assim, o convide para sair no fim de semana. Chame-o para uma festa na casa de sua amiga. Pegue o telefone dele e ligue mesmo para ele. Faça ele se apaixonar por você. Daí pra frente você não vai estar mais tímida, não é mesmo? E é rezar para que ele seja mesmo muito legal e que vocês dêem certo. Sabe de uma coisa? Comentem aqui contando a experiência de vocês. Seja antes ou depois do post. Quero saber de vocês. Seja essa garota que vai atrás do que quer. 
Categoria: Meus Textos
Escrito por Gabi Pagliuca às 23:38
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O primeiro a gente não esquece nem os detalhes
Eu tinha 12 anos e acabado de sair da "Fase do Patinho Feio", meus cabelos já batiam nos ombros depois de uma temporada de "Joãozinho". Nunca tinha ido às festas a não ser festas nos salões dos prédios das minhas amigas, que eram poucas. Quando quis sair pela primeira vez, foi num domingo, para uma matinê. Minha irmã, já com 16 anos, insistiu para que eu não fosse, mas minha mãe disse que ela só iria se eu fosse junto. O lugar aonde ela ia era num shopping (para os cariocas, devem se lembrar: rock in rio café no barra shopping) e ela me enxotou de lá e me mandou para a outra matinê do outro shopping (cariocas: Slávia no New York city Center) que eram vizinhos. Eu entrei pela primeira vez em uma boate de verdade. As pessoas estavam fumando e se agarrando, só que estava meio vazia. Eu e minhas amigas entramos e eu estava deslumbrada. Olhava para os lados, não via nada direito. Foi nesse clima que a primeira pessoa a pedir para ficar comigo na vida chegou. Ele era feio e o recusei. Olhei para os lados e encontrei o cara por quem eu tinha uma queda enorme. Felipe o nome dele. Então uma das meninas que estavam comigo chegou saltitante para mim e falou "ga-a-a-a-bi! o andréééé quer ficar com você" e fazendo aquelas dancinhas de quem consegue algo legal para outra pessoa. Só tinha um problema: André? Quem era André. Ah! O promoter bacana. Tinha 14 anos. Era mais alto que eu, eu era da altura do peito dele. Então a gente conversou um pouco. Ele apoiou as duas mãos na pilastra que eu estava encostada e eu fugi passando pelo tríceps dele. Eu fiquei parada ali por alguns instantes e o Felipe veio falar comigo. Eu pensei "é hoje!", só que ele não queria ficar comigo, aliás, talvez, ele estivesse de saco cheio de ouvir minhas amigas falando que eu era apaixonada por ele, ele não queria nada comigo, Deus! Então ele me disse "hey, gata, pára com isso e fica logo com o André" Era assim que ele retribuía tanto amor? Ele queria que eu ficasse com amigo dele? Para tentar esquecê-lo? Então era isso que eu ia fazer. Voltei ao André e ficamos conversando ainda mais um pouco na pilastra. Ele tentava me beijar e eu me sentindo descolada e tudo mais, mas a verdade é que eu estava morrendo de medo por dentro. Ele sabia que eu nunca tinha beijado. Ele veio chegando. Se não fosse um cara que eu tivesse acabado de conhecer e amigo do cara que eu gostava, ia até ser romântico. Ele foi se aproximando e eu olhando para os outros casais... Não sabia o que fazer, onde colocar as mãos, como abrir a boca e... Ele foi se aproximando, assim, em câmera lenta e mil coisas passando pela minha cabeça... Eu falei: "ai... se eu te der um beijo você não me agarra" e apontei com o nariz para os outros casais que estavam se agarrando. Ele sorriu e disse que tudo bem a minha condição. Ele me beijou. Pareceu uma eternidade, estava ficando até meio chato. Aquela escuridão com luzes prá lá e pra cá, música alta, eu de olhos fechados e um cara com as mãos apoiada nas pilastras por cima do meu ombro com a língua dentro da minha boca. Abri os olhos e o afastei. Perguntei a hora. Falei que ia me atrasar para me encontrar com minha irmã e saí correndo. Na mesma noite encontrei com ele de novo ali pelo shopping, todo mundo queria que eu beijasse ele de novo, mas não beijei. Nem selinho. Nem nada. Nem beijo na bochecha. O cara deve ter achado que eu era idiota, mas na verdade nem ligo. É uma das partes mais gostosas de estar crescendo... Provar o novo e rir dos erros.

Categoria: Tudo de Blog
Escrito por Gabi Pagliuca às 22:51
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Um eu não-superficial
Três regras: perfume, sorriso e simpatia. Porque nem todas as garotas são lindas, magras e com cabelo invejável. Se eu quisesse eu poderia emagrecer, me maquiar e fazer chapinha todas as vezes que eu fosse sair com um cara. Só que maquiagem some e borra. Chapinha sai. Emagrecer dá muito trabalho. Por isso, com o tempo, fui fazendo minhas próprias regras. É claro que antes de sair com um cara eu fico meia hora escolhendo uma porção de roupa para ter opção e vou vestindo cada uma combinando com os acessórios para escolher a melhor. Claro que faço alguma coisa no cabelo, não o deixo normal. Só que o problema é que tudo o que eu faço para que eles se lembrem de mim não dá tanto trabalho. Eu passo um dos meus perfumes preferidos (Ma Cherie, Adidas Fresh Vibes ou outro dependendo o cara), quando ele sentir meu cheiro outro dia em outro lugar, ele com certeza vai se lembrar de mim. Já me disseram que meu sorriso é bonito milhões de vezes, então, para que não usá-lo? Sorrio muito, naturalmente. Isso atrai os meninos. E tento ser eu mesma. Não fico fingindo ser quem não sou como tanta gente faz, principalmente porque eu sempre saio com uma pessoa pensando, primeiramente, em tentar conquistar a amizade e a simpatia dela, quando consigo fazer isso, partir para o segundo passo é mole, tento usar meu charme, que é um segredo natural que não conto pra ninguém!

Categoria: Tudo de Blog
Escrito por Gabi Pagliuca às 14:41
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Marina
Há alguns anos, conheci uma menina que considerava perfeita. Ela era quatro anos mais velha que eu. Estava terminando o colegial enquanto eu ainda estava na sétima série. Ela se chamava Marina. Ela era considerada, na escola, a menina mais bonita, desejada e invejada.
Tinha cabelos lisos e pretos até o meio das costas, olhos escuros, pele bem branca e corpo perfeito. Podia comer batata frita chocolate, sorvete e pizza que continuava perfeita.
A sua turma era a mais animada, os amigos mais descolados e os namorados mais bonitos de toda escola. Ia às melhores festas. Fazer parte desse circulo era ter status.
Nessa época, andava com a Irmã dela, freqüentava sua casa, ela me contava as coisas, eu pedia conselhos pra ela e nos tornamos amigas. Considerava isso o máximo porque mesmo ela sendo quem ela era não deixava de ser humilde, ajudar e conversar com os outros.
Eu era totalmente sua fã e queria sempre ser igual a ela, mesmo que as condições não permitissem. Eu sempre a defendia quando falavam mal dela. “É inveja”, eu sempre repetia. Ela era tão perfeita que até os defeitos dela eram tranquilamente superados pelas qualidades.
No fim de semana passado, recebi um recado no celular falando que ela tinha bebido muito na festa de 15 anos de sua prima e desmaiou, entrando em coma alcoólico. Aquilo foi um susto para mim. Corri ao hospital que ela estava internada. Recebi informações que ela já tinha acordado do coma, que só estava dormindo.
No quarto, não estavam seus pais nem seu namorado, apenas sua irmã mais nova, a que era minha amiga. Abri a porta sem deixar que ela me visse. Olhei. Tive pena. Saí sem dizer nada. Estava confusa. Porque será que ela tinha bebido? E seus pais? E seu namorado? Onde estariam?
Voltei para casa, nem sei como de tanto que eu pensava. Lembrando de todo o tempo que eu quis ser como ela. Resolvi recuperar meus diários daquela época. Sexta e sétima série. Havia muitos relatos sobre ela. Sobre ela e sua família. Sobre ela e seus amigos. Sobre ela e seus namorados. Eu era a paparazzi número um dela.
Reli uma boa parte de minhas anotações e, agora mais amadurecida, pude perceber algumas falhas no mundo perfeito dela. Eu nunca citava os pais dela, apenas quando ela se queixava de algum mal entendido entre eles. Falando dos namorados oficiais, só tinha coisas de quando eles ficavam bêbados ou drogados e matavam aulas, e como ela se orgulhava de estar junto.
Realmente, Marina era perfeita. Vivia num mundo perfeito que ela mesma criara. Algumas pessoas sabiam disso. Outras não. Outras fingiam que não e a usavam. Todas as experiências que ela me dizia empolgada, não faziam parte de nenhum mundo perfeito e sim parte de um mundo inventado, de farsas.
Eu lia e relia milhões de vezes e me condenava por ser tão ingênua. Por acreditar! Como eu poderia querer ser como uma menina que finge e usa as outras pessoas? Quanto tempo eu não perdi? Quantos amigos não romperam comigo por causa dela e de minha mania de defendê-la? Inclusive sua irmã, a que eu não cumprimentei no hospital.
Todas as pessoas que eu julgava invejosa, na verdade, era quem a conhecia de verdade. Tanto é que, a maioria delas, eram pessoas que em certo momento de suas vidas foram bem próximas. Foi pensando nisso, ao ler meus próprios escritos, que me toquei na verdadeira Marina. Tentando manter longe as pessoas que a conhecia bem, usava outras. Quando essas outras queriam uma maior aproximação, ela as dispensava. Era por isso que sua irmã não conseguia ver como eu a via. Foi assim com todas as pessoas que ela foi amiga. Inclusive eu mesma. Ela era má e isso me doía muito.
Deitei na cama com meu último diário, frustrada e aborrecida. A vida de Marina era desprezível. Dormi rapidamente. Ao acordar, com uma profunda dor de cabeça e leves enjôos, senti meu corpo despertando de um terrível pesadelo. Senti os braços de minha irmã apoiados na minha barriga, entrelaçando sua cabeça. Ela estava cochilando. Gemi alto para que ela ouvisse, ela olhou para mim séria e deu nos ombros. Foi então que eu disse: “Ju, me coloquei no seu lugar! Pode me perdoar, por tudo? Prometo que mudarei”. Ela sorriu e disse: “Marina, você nunca mais vai beber na vida!”

Categoria: Meus Textos
Escrito por Gabi Pagliuca às 12:18
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O dia que eu comi feijão
Essa história, na verdade, começa quando eu ainda comia feijão. Bem, pra ser sincera é uma época que eu quase não me lembro e poucas coisas são apenas em flashs. Como por exemplo, quando eu comia sopa de letrinhas e de feijão. Quando fecho os olhos, me concentro, consigo lembrar a fumacinha saindo e uma amostra do gosto chega a minha boca. Lembro dos meus irmãos e eu, de banho já tomado, com aqueles pijamas quentinhos de flanelas com estampa de bichinhos sentados nos banquinhos da cozinha, quase do nosso tamanho, um pouco menor. Nessa fase era prazeroso comer.
Foi em uma escola de período integral que a enjoação toda começou. Era uma escola carioca, tinha acabado de mudar para o Rio de Janeiro. Os almoços eram arroz, feijão preto, peixe ou alguma outra carne. Éramos obrigados a comer pelo menos uma mistura além do arroz e feijão. Aquilo foi entrando em mim e eu tinha cada vez mais nojo. Chegou uma hora que eu me revoltei.
(por favor, caso você esteja comendo e/ou tenha estômago sensível, não leia as próximas frases)
Era uma tortura ter que comer, ou melhor, enfiar goela a baixo, peixes com espinha, almôndegas recheadas de asinhas de mosca, feijão preto sem caldo e com gosto de plástico, arroz duro e amarelado e de sobremesa, gelatina com um caldo suspeito. Até na “semana da criança” éramos presenteados de hambúrgueres e batata frita com pitadas fios de cabelo. Era muito nojento. Conheço pessoas que ficaram menos revoltados, como meus próprios irmãos e um amigo que até hoje mantenho contato, que se lembram apenas como “é, a comida era bem ruim, mesmo”, mas para mim, a comida não era ruim, era nojenta e eu não achava que meu corpo era obrigado a ingerir aquilo.
Não que a escola tenha me feito ser do jeito que sou hoje, mas tenho certeza que por ser do jeito que sou, agi com rebeldia. Segui meus princípios, o primeiro de não ingerir nada que não tenha passado por uma inspeção da vigilância sanitária. Ficava sentada ali na mesa, conversando com meus amiguinhos que iam saindo um a um, me vendo sozinha, brincava com a comida – não a comia, brincava com ela – a essa altura não tinha mais ninguém no refeitório, até os alunos mais velhos que eram os últimos a chegar, já tinham ido embora. As copeiras viam conversar comigo, me obrigavam a comer, falavam que eu não ia sair dali se não comesse, conseqüência disso foi eu ter perdido muitos recreios destinados à digestão sentada na mesa do refeitório. Uma vez, me lembro de ter chegado quando o recreio da minha classe já tinha acabado e a professora já estava em sala de aula.
Aliás, fugindo do feijão, o que fiz depois que saí dessa escola, lá, no mesmo lugar, eu era brigada a fazer natação e ballet, enquanto os meninos, sempre levando vantagens, praticavam judô, bem mais legal que pliê-estiquê. Desenvolvi uma sinusite para, naquela época, não nadar e por ter atestados médicos não precisava nadar como todas as outras crianças-abacatinhas (o maiô e a touca eram verdes). A doença, que deu muito dor cabeça - em todos os sentidos - sumiu misteriosamente alguns anos depois para que eu pudesse viver bem . Sobre o ballet, não digo que traumatizei, mas não gosto muito da modalidade. Talvez seja por não gostar mesmo e não tenha nada a ver com as aulas, porque hoje eu gosto de dançar e tudo mais, mas ballet me lembra a escola, então nada de piruetas.
Voltando ao feijão, me afastei dele desde essa época. Não só dele, coitado, não vamos fazer distinção, muito menos ser preconceituosa com o carioca. Não como feijão preto e branco, almôndegas - porque me faz lembrar um gosto estranho que não era de carne -, peixe e outros frutos do mar e até lasanha, tenho uma leve lembrança de que comia antes e parei de comer repentinamente.
Fui me virando todos esses anos sem anemia e nenhuma outra doença por falta de ferro, seguindo meu cardápio. Sempre que brincavam comigo sobre estar fraca, precisando comer mais feijão, eu sorria e continuava a brincadeira “talvez começar a comer seria uma opção válida” mas eu nunca levava a sério.
A última vez que comi algo dessas modalidades foi na mesma época, morando no Rio, fui visitar uma amiga e de almoço tinha camarão (nhami, que delícia! Eca!!) comi com ajuda do suco de fruta que foi servido na hora e sem mastigar e tocar na parte da língua que faz sentir o gosto, fui educadíssima. Nunca mais fui a casa dela.
Até o dia que eu resolvi virar vegetariana. Levando em consideração que no dia-a-dia das pessoas, as refeições são feitas a base de arroz-feijão-salada-carne, tirando a carne eu teria opção arroz-feijão-salada. Tirando o feijão que não era opção válida, ficava arroz e salada. Não como arroz puro porque não tem graça, então sobra salada e se eu comer só salada por duas semanas, eu desisto. Por isso, decidi comer feijão. Para dar um gostinho a mais no arroz-salada-batata (ou alguma outra dica do dia).
A minha primeira experiência foi só com o caldo em cima de apenas uma colher de arroz. O cheiro e o gosto não eram diferentes do que achei que seria. A diferença estava no preparo, na hora de servir, no tempero, na higiene que só vi não ter naquela escola. Comi de olhos fechados, pensando em ser chocolate! Demorei quase um mês para fazer a decisão definitiva de ser vegetariana. Quando fui, no primeiro almoço sem carne, comer o feijão que estava me esperando e praticamente me chamando, o que foi que eu percebi? Era feijão preto. Aquele – IGUALZINHO – o que eu comia na escola. Claro que não era nojento, era um feijão maravilhoso, toda minha família – que come feijão preto – gosta. O problema é que me recusei a começar a dieta do feijão com feijão carioca, fala sério, era sacrifício demais! Almocei uma saladinha gostosa!
No dia seguinte tinha feijão “paulista” e eu almocei arroz-feijão-salada e deu tudo certo, nem precisei pensar que era chocolate. Não sou fã, ainda – posso vir a ser –, do feijãozinho, mas como um diálogo que eu tive com minha irmã que achou que eu estava errada de trocar algo que eu gosto – carne – por alguma coisa que ainda não gosto, mas toda mudança exige sacrifícios. Eu sei disso porque já mudei tudo, muito. Estou me adaptando muito bem com meu novo companheiro diário. Não estou sentindo que estou fazendo nenhum grande sacrifício, a comida daqui de casa é realmente muito gostosa e temperada – e higiênica!

obs.: eu gostaria de dizer que não é porque eu virei vegetariana que não tenho mais opções para as refeições, mas os meus hábitos alimentares são péssimos, não tenho costume de comer verduras, hortaliças, cereais e até grãos. Se eu fosse uma pessoa que comesse de TUDO e resolvesse tirar todo tipo de carne mas continuar com as outras coisas normais, eu nao precisaria tanto do feijão, mas o problema é que eu não tenho hábito de comer outras coisas, minha alimentação era basicamente arroz-bife-salada de alface. Estou falando isso pq as pessoas podem achar que vegetariano não se alimenta direito, e algum vegetariano poderia brigar comigo falando que estou espalhando que vegetariano só come arroz-feijão-salada, o que não é verdade. "Vegetarianismo aceita ovos e laticínios, além de 15.000 variedades de legumes, cereais, raízes, hortaliças, frutas, castanhas, massas, etc" (Alimentação Vegetariana: chega de abobrinha. Mestre DeRose. Ed.: Nobel) sou eu que tenho falta de costume de comer isso tudo.
Categoria: Meus Textos
Escrito por Gabi Pagliuca às 12:10
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Tendências trabalhistas
É ensinado desde cedo que o trabalho é indispensável para tirarmos recursos para a nossa sobrevivência. Existem muitos tipos de trabalho, mas de maneira geral ou se trabalha na fabricação de produtos ou partes deles, ou presta um serviço, o que está virando tendência por causa das inovações tecnológicas do mundo moderno.
Muito se fala sobre o emprego dos sonhos que são, normalmente, relacionados aos artistas, empresários, investidores entre outros, mas cada profissão tem seus obstáculos, seus problemas isso porque não existe trabalho sem esforço.
O progresso da sociedade capitalista faz com que todas as áreas abram novos ramos, mas estão exigindo pessoas com mais conhecimentos específicos, estimulando às pessoas a estudarem mais e conseguirem outros certificados além do terceiro grau.
A concorrência, uma conseqüência do capitalismo, é tendência mundial e para que as empresas progridam é necessário investimentos em tecnologias que produzem mais em menos tempo e então, as pessoas que ainda usam a força física como seu instrumento de trabalho, tem sua atividade desvalorizada, recebendo salários mínimos e completando um ciclo: a pessoa que ganha pouco, muitas vezes, trabalha em mais de um emprego para ganhar mais dinheiro para poder viver melhor, mas por conta disso, não encontra tempo para se especializar, não conseguindo melhorar de vida.
O mundo está evoluindo e, com ele, as máquinas trabalhando no lugar de pessoas, fazendo com eu os homens tenham que usar o que uma máquina jamais poderá nos superar na hora de criar, montar, criticar etc. Usar a arte de pensar para ganhar espaço no mundo em evolução.
Categoria: Meus Textos
Escrito por Gabi Pagliuca às 22:50
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Humberto
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Falar de Humberto é muito difícil. Impossível falar que o conheço bem, mesmo achando que sim. Nem sei se tenho muito a dizer sobre nossa relação de amizade e/ou amorosa – se é que existiu alguma amorosa–. Há dois anos nos conhecemos. Fomos apresentados por um amigo, sua namorada e sua irmã. Os três viviam falando que nós dois combinávamos, éramos parecidos, nós íamos nos dar bem etc. e tal. Um dia o amigo me passou o MSN e Orkut dele e começamos a conversar. Ele ia à mesma festa que eu no fim de semana. Estava realmente animada e aqueles meus amigos ficaram falando dele a semana toda. E o grande dia chegou e nos conhecemos. Ele estava lá. Lindo, solteiro, com os amigos, se divertindo e bêbado. Muito bêbado. Tanto que quase não se lembrava de ter nos conhecido no dia seguinte. Mas não faltaram oportunidades de estarmos juntos outras vezes, nós sempre nos encontrávamos e uma amizade sincera, de ambas as partes, foi surgindo. Como imaginei pelos relatos de meus amigos, éramos muito parecidos mesmo e nos dávamos muito bem. Mas uma coisa eles me avisaram: se eu quisesse ter algo a mais com ele, não poderia conhecer a ex-namorada dele, pois era excepcionalmente fantástica amiga essa Madalena, meiga, sincera, carinhosa, atenciosa. E ex-namorado de amiga, vocês sabem que é pra sempre namorado. Na semana em que eu conheci Humberto, conheci também Madalena. Ela veio como quem nada quer se apresentando, dizendo que era amiga de alguns amigos meus e que era ex de Humberto. Eu só continuei a conversa, e nada mais, não fiquei puxando papo. Talvez ela tenha percebido que eu estava o rondando e ela quis me deixar a par de todas as informações sobre o ex-relacionamento deles. Ela me contou a história toda deles. Sem eu pedir, é claro. Não a considerava ainda amiga, mas não podia deixar de entender o recado dela! Ela não queria que ele ficasse com ninguém nunca mais, ainda mais alguém conhecida, pois ainda o amava muito. Desde o início tínhamos muito em comum e eu comecei a sentir uma atração a mais por ele e pensando que ele também sentia, certa vez acabamos nos beijando em uma noite de aventuras pelo bairro, um beijo, o primeiro de muitos. Eu mesma contei para a Madalena. Ela ficou extremamente triste comigo e não falou comigo por umas duas semanas, só quando ela percebeu que não tinha nada a ver mesmo ela voltou aos poucos a falar comigo. Minha amizade e de Humberto não mudou nada depois de nosso beijo. Éramos cada vez mais amigos e mais ligados. Um começou a se preocupar e cuidar cada vez mais com o outro. Ele sempre vinha aqui em casa com nossos outros amigos para jogar vídeo game – eu sempre tive os jogos mais legais – e às vezes passávamos a noite inteira fazendo nada sentados na frente da casa dele conversando e ele bebendo álcool de quinta categoria e na fase que eu estava, qualquer coisa era adrenalina para mim. Batendo de frente com meus pais e ficando a noite toda fora de casa sabe-lá-Deus-com-quem como dizia minha mãe, trazendo esses mesmos sabe-lá-Deus para minha casa. Era aventura. O problema começou aí. Éramos amigos demais e tínhamos algo que não deixava nos separar nunca. O dia todo nos falávamos por MSN e telefone e mandávamos mensagens bonitinhas por Orkut – e diga-se de passagem, todas as meninas que eram apaixonadas por ele, morriam de inveja de mim por ter aqueles escritos na minha página de recados -. A gente não sabia no que ia dar uma amizade tão forte e tão instantânea. Em uma noite, quando várias pessoas foram dormir na minha casa, inclusive ele, nós nos beijamos de novo. Ninguém poderia saber, pois estavam todos dormindo. Ele me beijou com muita vontade, mas me disse que tinha medo que eu me apaixonasse, pois éramos “amigos coloridos” e queria continuar com isso. E eu jurei que não me apaixonaria. Não que ele não fosse apaixonável, mas eu preferia ter ele como amigo a não ter ele como nada, claro. Nossa vida era feita de altos e baixos e todos os baixos eram culpa minha, ele dizia. Às vezes ele parava de falar comigo de repente. Depois de uma semana me dizia “eu te desculpa por tal coisa” e eu ficava confusa porque não sabia do que ele estava falando ou às vezes considerava que quem tinha feito alguma coisa errada era ele e ele sempre falava que não. Dizia que quem estava errada era eu, mas ele me perdoava. Eu apenas ignorava. Eu estou acostumada a atrair pessoas loucas, mas louco como ele, era o primeiro. Nossa vida foi seguindo assim. Comecei a namorar outra pessoa e acabamos nos distanciando por causa disso, por acaso, esse meu namorado tinha um ciúme doentio por ele que não sabia da onde vinha. Eu sabia. Na semana que terminei esse namoro, depois de mais de um ano e meio, eu estava sensível e até triste. Para distrair saí com três amigos, inclusive ele. Estávamos no banco de trás do carro e os outros dois amigos na frente. Ele estava perto de mim, como antigamente. A gente já tinha conversado sobre o fim do namoro que talvez, muito talvez, tinha alguma chance de continuar. E ele sabia que eu não ia ficar com ninguém até ter certeza que tinha terminado definitivamente. Ele olhou para mim com cara de quem queria carinho. Foi chegando mais perto. Disse para eu fechar os olhos – o que eu não fiz – e veio até minha boca e tentou me beijar. Não deixei. Onde já se viu? Ele sabia que eu não queria ficar com ninguém até ter certeza do outro relacionamento. Ele tentou de novo. Pegou meu rosto e grudou com o dele, fechei minha boca com toda força. Sorri para ele e ele sorriu para mim. Os nossos outros dois amigos saíram do carro para deixar-nos a sós e disseram que o que acontecia no carro do João, ficava no carro do João (e estávamos no carro dele). Ele insistiu. Perguntou por que não. Eu expliquei. Tentei, pelo menos. Ele beijou meu pescoço. Minha orelha. Ele foi chegando mais perto e eu não estava conseguindo resistir. O Humberto iria sempre ser o Humberto, não tinha como mudar a atração que eu sentia por ele, mesmo se nos mantivessem afastados. Eu cedi. Ele me beijou forte e com vontade. Ficamos no beijamos por uns dez minutos corridos, sem parar. E eu pensei se já que tinha beijado mesmo, iria ficar pra valer com ele, o resto da noite. Se eu voltasse com o meu ex-namorado, de qualquer maneira já iria ter ficado com outro se eu desse mais um beijo ou não. Ou seja, seria “traição” de alguma forma se eu continuasse ou parasse naquele beijo de qualquer jeito. Mas ele não pensou assim... Humberto, não meu ex-namorado. Humberto me deu mais dois ou três pequenos beijos. Disse que eu continuava a mesma, que adorava meu beijo. E os outros meninos entraram no carro para continuarmos nosso passeio. Ele deitou no meu colo e quando eu fui beijá-lo, ele desviou. Não entendi nada. Pensei que fosse por causa dos meninos. Não era. Os meninos sabiam que o que acontecia no carro do João, ficava nele. Ninguém ia sair espalhando. Em certo ponto do passeio saímos nós dois apenas. Eu olhei pra ele. Ele fingia que eu não estava ali. Estava frio. Eu fui beijá-lo. Ele não deixou. Eu perguntei por quê. Ele disse que não queria mais. Eu perguntei por que ele era assim, daquele jeito. Respondeu que já tinha nascido assim e pediu desculpas. Beijou minha testa e pegou na minha mão para me levar pro carro. Mas eu disse antes de entrar que ele tinha me feito fazer algo que eu não queria, pois poderia magoar alguém que eu amava de verdade – no caso, meu ex-namorado se a gente voltasse – e iria ser isso. Só um beijo para ver se meu beijo continuava bom como antes. Ele disse que sim e entrou. A única conclusão que consegui chegar foi que ele só me queria como um desafio. Eu não queria ficar com ele por estar ainda enrolada com meu ex-namorado e se ele conseguisse ficar comigo era por que, talvez, ele fosse o todo-poderoso. Não que fosse bem assim, ele era o Humberto. O Humberto. O MEU Humberto. Depois de ter terminado definitivamente esse namoro, nós nos vimos mais uma vez. Acabamos nos beijando de novo e fiz o que ele fez comigo aquela vez. Só para checar que ele ainda beijava bem. Não que eu tenha DITO isso pra ele. Beijei uma, duas, três vezes depois o dispensei para ficar com os outros amigos que estavam junto também. Foi bom ter pagado na mesma moeda, mas por causa disso nunca mais nos falamos. E eu sinto saudade. Espero que daqui umas semanas ele venha me dizer que me perdoa por alguma coisa que eu (não) fiz e volte tudo ao normal.
Categoria: Érica, a sempre forte.
Escrito por Gabi Pagliuca às 10:42
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Ernesto
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Falei tanto do meu ex-namorado que no mínimo uma curiosidade surgiu, não é mesmo, leitores? Conheci Ernesto quando estava enrolada com outro cara e me apaixonei imediatamente que o vi. Minhas amigas me apresentaram e ele parecia ser o cara perfeito para mim e foi mesmo, durante um ano, sete meses e catorze dias. De 12 de março de 2006 até 26 de outubro de 2007, oficialmente. Eu tinha 18 anos quando começamos e terminados quando eu tinha mais de 19 anos e meio. Foi na minha época pós-escola. Uma época maravilhosa. Estudamos no mesmo cursinho pré-vestibular. Ele era extremamente lindo e inteligente. Gostava do mesmo tipo de música e era um pouco menos caseiro do que eu. Éramos o par perfeito, todo mundo nos elogiava quando nos viam. Tinha uma coisa nele que sempre me chamou atenção, no começo era fofo, mas perto do fim me irritava. Suas bandas preferidas eram formadas por bateristas, guitarristas, baixistas ou qualquer outro tipo de instrumentalista de qualquer sexo, mas a vocalista tinha, necessariamente, que ser uma mulher. Pitty, Pato Fu, Lodov, Avril Lavigne e até Elis Regina com suas Águas de Março, entre outras mil bandas de mulheres. E eu com meu gosto eclético para tudo, acabei gostando do que ele ouvia também. Escuto muito Ramirez e Leoni, mas não tenho nada contra nada específico. Ele tinha. Não suportava ouvir homens cantando. O máximo que ele suportava era um dueto ou algo parecido. Nunca fui de me importar muito com isso, escutava o playlist dele com a maior boa vontade. A única coisa que me deixava brava era quando ele chegava a minha casa e mudava de playlist para a que ele queria. Isso me deixava irritada. E ele reclamava dizendo que eu gostava das coisas dele e ele não gostava da minha. Eu sempre voltava para a minha. Problema era dele se não gostava. Muitas vezes ficávamos sem ouvir nada por conta disso. Tempo bom aquele. Estudávamos muito para conseguir passar na faculdade que queríamos. Ele passou na USP, em Direito, na primeira tentativa, ele era muito inteligente. Eu continuei no cursinho e no ano seguinte entrei em jornalismo numa particular, já que no primeiro ano eu não tinha decidido ainda o que fazer. Nós sempre íamos a pequenos shows que tocava mais de uma banda cover e/ou nova – com mulheres no vocal - e nos divertíamos muito. Sempre quando a próxima banda era de vocal masculino ele dava um jeito de me chamar para um canto e ficarmos namorando ali. Ele tinha uma técnica especial que sempre me fazia ceder. Não sei bem o que era, quer dizer, até sei, mas não quero contar. Brincadeiras a parte, ele era um namorado muito interessante, atencioso, meus pais até gostavam dele, acreditam? Nos fins de semana eu ia para casa do meu pai, já que ele morava mais perto das badalações – já passei da idade de ser obrigada a passar o fim de semana com ele, depois dos quinze, eu ia se e quando eu quisesse – e ele deixava a gente dormir no mesmo quarto, o meu, sempre. Era só avisar antes. Minha mãe não gostava muito por causa da minha avó que mora com a gente, mas se precisasse, caso ficasse tarde, não tinha problema algum. Só tinha uma regra que era nada de sexo na mesma casa de mamã e vovó. Era uma regra engraçada, mas era regra. A vida era boa com ele, nos divertíamos. Ficamos um tempão juntos, mas nosso amor foi desgastando, de repente não éramos mais apaixonados. Terminamos uma vez. Voltamos menos de um mês depois. Só que ele terminou comigo mesmo para ficar com uma vocalista de uma banda nova. Eu sempre soube do fascínio dele por mulheres no vocal, mas nunca achei que seria trocada por uma.
Categoria: Érica, a sempre forte.
Escrito por Gabi Pagliuca às 10:41
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Henrique
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Henrique era melhor amigo do cara que eu gostava até uns dias antes, no carnaval. No vigésimo quinto dia de fevereiro, por telefone, nos conhecemos. Esse é o dia do meu aniversário e o cara que eu gostava me ligou para me desejar felicidades e como Henrique estava junto, falou comigo também. Foi nosso primeiro contato. Eu já sabia quem era ele e ele já sabia quem era eu. Sem perder tempo, o adicionei no Orkut e no MSN e começamos a nos falar. Em uma terça feira, ele me chamou para sair, para tomar uma cerveja, bater um papo, comer um lanche. Ele me buscou em casa e fomos a um bar. Conversamos muito sobre tudo e percebemos bastante afinidade um com outro. Eu estava me sentindo totalmente atraída por ele e vice versa. Ele me chamou para ir a casa dele, assistir um filme. Sentamos no sofá e ele me beijou, perguntou se eu estava com ele pra fazer ciúme no amigo dele e eu disse que não, que ninguém precisava saber disso de propósito. Fomos deixando nos levar pelos instintos carnais e foi ai que rolou a minha primeira vez. Tinha acabado de fazer dezessete anos e não me arrependi nenhum dia da minha vida de ter feito com ele. Eu sei que tinha acabado de conhecê-lo e não tínhamos nada sério, mas não me condeno por isso, não. Meu ex-namorado me condenava tanto que foi um dos motivos que eu dei um pé-na-bunda dele. Nós tínhamos muito em comum e dois dias depois saímos de novo. Ficamos dando voltas de carro conversando sem saber aonde ir. Passamos por um bar que tinha gente conhecida, eu perguntei se a gente podia ir, ele ficou meio indeciso e eu perguntei se ele tinha vergonha de mim. Quando eu disse isso, ele deu a seta para estacionar e parou o carro ali mesmo. Descemos, bebemos alguma coisa e fomos embora. Fomos para a casa dele. Minha mãe tinha ido viajar, não iria ficar brava se eu chegasse tarde. Foi a última vez que fiquei junta. Ele não queria nada sério, eu também não. Conheci outro cara que fiquei até conhecer meu ex-namorado, e já terminei um caso para namorar sério. Namorei mais de um ano e meio e quando terminei quem estava namorando era ele. Não sei se eu faço questão de ter nada, de novo, com ele, talvez só não queira perder o contato com o cara que está com minha virgindade e minha calcinha preferida na qual esqueci lá na nossa segunda noite.
Categoria: Érica, a sempre forte.
Escrito por Gabi Pagliuca às 10:32
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Fabiano
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Conheci Fabiano com uns catorze anos no prédio da minha tia, sempre que ia visitá-la via um grupo de pessoas da minha idade e um dia fui conversar com eles. Ele logo me chamou atenção por ser bonitinho, mas descobri que era dois anos mais novo que eu. Não me lembro de detalhes do início sei que nos atraímos rapidamente. Sempre que nos víamos rolava certo clima, mas nada que se consumasse. Um dia ele e outro vizinho foram bater na porta da minha tia e eu atendi. Eles me disseram que tinham feito uma aposta com as vizinhas, se ele levasse uma menina e provasse que namoravam, ela daria vinte reais e me chamaram para ser essa namorada. Eu não aceitei ao menos que me dessem dez reais! Eles aceitaram e fui lá de mãos dadas com ele e na frente delas demos um selinho, mas acabei ficando sem meu dinheiro. Ele dizia que gostava de mim, que tinha ciúme e que queria ficar comigo e quando eu ia para lá ele sempre dava uma desculpa e nunca ficávamos. Os anos foram passando e nunca ficávamos. Um dia, eu fui, a convite dele, passar o domingo lá. Mesmo achando que não íamos ficar de qualquer maneira, iria ficar ali com o pessoal e ia ser legal. Ao chegar lá o encontrei agarrando uma de nossas vizinhas uns cinco anos mais velha que ele! Todos os nossos amigos falaram que foi mesmo mancada dele e ficou por isso mesmo. Nunca mais quis nada com ele até que um dia sem querer ficamos de verdade. Estávamos na piscina do prédio e estávamos bem amigos essa época. Eu estava quase fazendo dezessete anos e acabei indo com o embalo. Ficávamos sozinhos na casa dele. Era bem engraçado, sempre achei que minha primeira vez ia ser com ele. Eu era meio boba nessa época e ele já estava com segundas intenções. As vezes nem nos beijávamos direito, mas ele ficava colocando a mão em lugares impróprios para menores. No começo o pressionei, disse que não podíamos fazer isso por eu ser uma menina “séria” e que só fazia namorando. Ele me ignorava e continuava. Ele dizia que não queria que eu me “entregasse” nem nada, só queria ficar daquele jeito, me tocando, me descobrindo. Resolvi deixar pra lá e aproveitar. Ele realmente estava me usando uma cobaia para seus experimentos e eu não reclamava porque eu estava gostando. Ele era muito infantil para mim e não queria namorá-lo. Ficamos nessa durante um mês. Logo que fiz dezessete anos conheci o cara com quem eu perdi minha virgindade e ele me perguntou se eu era mesmo virgem porque não parecia. Eu disse que era mesmo virgem, mas tinha esse meu “amigo” que tinha me explorado tanto que me deixou daquele jeito, pronta pro próximo.
Categoria: Érica, a sempre forte.
Escrito por Gabi Pagliuca às 10:31
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Dalbert
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Meu segundo ano do colégio foi marcado por me apaixonar por meninos indevidos (pensando melhor, todos os homens que me envolvo são indevidos – salvo apenas meu ex-namorado que era um amor). Esse moreno de olhos verdes me fez pensar na minha primeira regra de sobrevivência, pois nunca imaginei que me envolveria com alguém comprometido. Quando nos conhecemos, ele era solteiro. Foi um amigo nosso que nos apresentou, com esse negócio de Orkut MSN e afins, essas coisas ficam bem mais fáceis. Mas acabou sendo um problema para mim. Esse meu amigo que nos apresentou era meu amigão mesmo e achava que ele combinava comigo e por isso nos apresentou. Eu o vi no Orkut e o achei super gato e gostei muito das comunidades que ele estava. Nós tínhamos muito em comum – menos a parte de “eu odeio Sandy e Junior” dele e “eu amo Sandy e Junior” meu -. Ele parecia um cara perfeito. Tão perfeito que achei que ele não existia, talvez fosse minha imaginação que deixasse ele perfeito, afinal, não tem condições de saber se a pessoa é sincera ou não por MSN. Começamos nos falar por telefone também. Mas nunca nos encontrávamos. De repente, em um final de semana, ele saiu com uma menina e começou a namorar. E eu estava já apaixonada por ele, ele sabia disso por que sempre falava que queria me encontrar com ele, abraçá-lo e olhar nos olhos dele. Nós éramos amigos suficientes para isso, independente do meu sentimento para com ele. E eu fiquei muito chateada. Arrasada. Continuei insistindo que nos encontrássemos, mas totalmente sem esperanças, só para olhar dentro de seus olhos e ter certeza de que ele não sentia a mesma coisa por mim. Só para ter certeza. Insisti tanto que ele cedeu. Estudávamos bem perto e um dia de jogos internos da minha escola eu fui até a dele. Estava quase chovendo. Pelo caminho inteiro andei com vontade de chorar, mas não consegui, eu estava feliz, acima de tudo. Ele veio tímido rezando para que ninguém nos visse, pois sua namorada estava dentro da escola e ia ficar triste de vê-lo conversando com outra menina. Seus olhos verdes eram ainda mais verdes ao vivo. Ele estava me hipnotizando. Ele era muito alto, talvez minha cabeça chagasse em seu peito, o que me fez ficar mais feliz ao nos abraçarmos, me senti protegida. Eu realmente gostava dele, e não era coisa pouca. Ele não estava tímido, estava morrendo de medo de alguém ver e contar pra namorada. Acho que ele não queria magoá-la, sabe?! Disse um “oi” bem meia boca e me dispensou rápido dizendo que eu ia pegar chuva. Eu fiquei triste com esse comentário por que eu não tinha medo de chuva e não era feita de açúcar, por isso ele não precisava se preocupar, mas eu ia embora mesmo, já tinha visto o que eu queria, ele realmente não era a mesma pessoa que eu era apaixonada. O problema é que isso não diminuiu o que eu sentia. Nessa época, ocorria na minha vida a chance de eu mudar para o interior para fazer o terceiro colegial e a faculdade. Cogitei a idéia desde que nada me prendesse aqui. E como a única pessoa que eu estava interessada não podia me prender, resolvi ir. Um mês antes de ir, resolvemos nos encontrar para se despedir. Fomos ao cinema. Desde antes mesmo de comprar nossos ingressos para assistir “Harry Potter e o Cálice de Fogo” já tínhamos nos beijado e minha paixão se tornou mais forte. Ficamos juntos no filme inteiro, nem assistimos. No fim do filme saímos de mãos dadas, esqueceu totalmente que eu não era a oficial dele, e sim a “outra”. Em algum momento estranho ele lembrou que tinha uma namorada e que ela não estava com ele e resolveu dar um telefonema para ela. Disse que ele estava com os amigos e que ia demorar. Ela disse algo como “eu te amo”, por que ele respondeu “eu também amo.” No mesmo momento que ele desligou com ela, sua mãe ligou e ele disse que estava com a namorada – oficial – dele. Burro, muito burro, mas tudo bem. Quando desligou, eu tirei muito sarro da cara dele e dos homens em geral. Porque ele não sabia mentir. Ele estava traindo a namorada e não sabia mentir, achei muito coisa de homem. Imagina se a menina liga para a casa dele e a mãe dele atende e fala “ué, ele não estava com você?”. Homens. Burros. Fomos embora com a sensação que isso nunca mais aconteceria, até porque eu estava quase me mudando. Continuei apaixonada por ele até aparecer outro indevido em minha vida. E por causa desse outro, não me mudei. Um ano depois, aproximadamente, ele estava solteiro de novo. Voltou a falar comigo por MSN e mandar mensagem no celular. Decidi me aproximar dele como amiga e nada mais, afinal, não teria condições de eu me envolver com um cara que traiu sua ex-namorada comigo. Convidou-me para ir ao cinema e eu decidi aceitar, pensando que se rolasse rolou se não, não teria problema nenhum. Conversamos bastante e não nos tocamos em nenhum momento. Até a hora do filme que ele pegou na minha mão e ficou acariciando. Quase no fim do filme, ele me beijou e não ia ser eu que ia cortar o barato dele, não é mesmo? Ficamos mais ou pouco no shopping e resolvemos ir embora. Como a casa dele era caminho da minha, dei uma carona para ele e ficamos conversando na frente do portão dele. Conversamos um pouco sobre a primeira vez que ficamos, conversamos sobre varias coisas e nos amassando. Do nada, começou um papo estranho. Ele me perguntou se eu era virgem. Eu disse que sim. Totalmente verdade. Ele disse que era também. Achei estranho por ter namorado tanto tempo a ex dele, mas tudo bem. Eu achei estranho ele perguntar por que não tinha contexto algum e eu não achava que ele estava com intenção que perdêssemos as nossas juntos, naquele dia, dentro do carro, mesmo. Com aquela dúvida inerte, resolvi questionar o porquê. Ele respondeu sem nenhum tipo de censura, pudor ou ainda senso de ridículo dizendo que eu parecia um tanto quanto carente demais e que ele achava que eu precisava de um namorado, até para suprir desejos sexuais (dos quais NEM EU sabia que eu tinha tanto assim). E perguntou se minha carência não me fazia mal. Fiquei muda e imóvel. Do que ele estava falando eu não tinha idéia. Não sabia se ele tava me pedindo em namoro (que eu não ia aceitar por não confiar nele) ou se ele tava tentando me analisar ou se ele apenas estava tirando sarro da minha cara. E ele completou: seria bom um namorado para você fazer sexo com ele. Cara-de-pau. Quem disse que eu precisava fazer sexo? Nem minha terapeuta falava assim comigo. Fiquei incrédula com o que ouvi e fiquei com vontade de jogá-lo para fora do carro pela janela e ainda passar por cima dele com o carro. Eu não disse nada, se disse não me recordo. Só sei que fiquei ainda com mais raiva quando ele perguntou se eu sabia que nós éramos somente amigos. Eu disse que sim, e perguntei por que. Ele disse que não era para eu ficar pensando que estávamos ficando ou que tínhamos alguma coisa séria. Falei na hora que não confiava nele e mesmo que ele quisesse, eu não iria querer. Como se eu fosse louca de entregar minha virgindade para um cara que traiu sua namorada comigo mesma. Ele estava viajando. Eu entendo que ele poderia pensar que, como eu já fui apaixonada por ele, o sentimento voltaria. Mas a forma que ele disse aquilo tudo, foi muito baixo. Nunca mais quis ver a cara dele. Há um tempo, outro amigo meu me disse que achava que eu tinha feito sexo com ele. Por quê? Por que o cara-de-pau falou que tínhamos feito para ele e mais uns cinco amigos nossos. Peguei nojo dele, nunca mais quis olhar na cara dele. Uma pena, porque seus olhos verdes devem continuar mais verdes do que nunca.
Categoria: Érica, a sempre forte.
Escrito por Gabi Pagliuca às 10:30
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Ferdinando
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Ferdinando, ou Nando, era meu amigo fazia algum tempo já. Era três anos mais velho que eu e estava no último ano do colegial e só pensava em farra. Namorou uma amiga minha da oitava série até o meio do segundo ano e quando eles terminaram, ele decidiu “pegar geral”. O problema não era só esse. O problema era que todas as meninas com quem ele saía, ele tratava como brinquedos. Era um tremendo cachorro, mas comigo ele era tão legal! O melhor de tudo é que nós éramos muito amigos e nunca tínhamos tido nada. Eu achava errado o que ele fazia com as pobres meninas, mas não me agüentava de curiosidade e ria com as histórias que ele me contava todo entusiasmado. Um dia era de um beijo horrível. Outro era do assunto que não tinham. Outra história de um pum. Como moramos muito perto um do outro, sempre íamos e voltávamos juntos da escola, onde estudávamos desde pivetes. A gente conversava sobre tudo. Inclusive fui eu que tentei animá-lo depois do fim do namoro. Ele não falava disso com ninguém além de mim. Éramos do tipo irmãos. Depois que fez 18 anos e tirou a carta de motorista, passava pra me buscar todos os dias e me levava de volta da escola. Ele não conhecia minha família nem eu a dele. Não saíamos de final de semana por que todos os dias da semana já eram suficientes para enjoar, então éramos típicos amigos de escola. Em uma véspera de feriado estendido de sete de setembro, que caiu numa terça feira aquele ano, na ida da escola me convidou para ir à praia com ele no dia seguinte. Eu adorei a idéia, mas disse que meus pais não iam deixar. Ele insistiu disse que ia ser legal. Ia ele e mais três amigos e iam pintar o apartamento todinho para ficar mais habitável e me garantiu que não ia me fazer pintar também, que eu poderia ficar tomando o sol o dia inteiro. Seus amigos iriam à tarde do mesmo dia e nós dois iríamos no sábado bem cedinho por que ele trabalhava à tarde de sexta e ficaria cansado para dirigir. O convite feito. Eu comentei com minha melhor amiga e ela morreu de inveja! Olha como mulher é! Disse que ele me chamou porque estava com segundas intenções. Vai saber, né?! Os dois já tinham ficado, mas como ela era minha melhor amiga ele teve piedade dela e não a tratou tão mal quanto as outras. Quando ele estava chegando perto do meu prédio, na volta, fez o convite novamente e eu disse que precisava falar com minha mãe e depois com meu pai para ver se cada um liberava um dinheiro. Ele foi estacionando o carro. Eu comecei a ficar confusa. Ele disse que iria subir para falar com minha mãe. Ela não o conhecia, mas eu falava sempre dele. Ele disse que iria mostrar RG, CPF, número da carteira de motorista – e como era permissão, ele não poderia levar nenhuma multa – e foi saindo do carro e me mandando entrar com ele no prédio, se não o porteiro não ia deixá-lo entrar. O convidei para almoçar, então. Minha mãe estranhou uma pessoa diferente para almoçar e disse que eu falava muito dele, para me matar de vergonha. Mal começou o almoço e ele já fez o convite. Disse que dirigia devagar e que sempre descia a serra, logo não era tão inexperiente como parecia. Minha mãe resistiu um pouco, mas não tinha como resistir ao charme de Nando, até porque ele tinha treinado muito com todas as meninas da escola, ela cedeu logo antes de terminarmos o almoço. E ele teve que sair para ir trabalhar. Fiquei muito empolgada por que era a primeira vez que viajaria sem alguém da família. Liguei para minha melhor amiga contando e ela ficou super feliz por mim, perguntei se ela não queria ir também, mas ela disse que morre de vergonha de estar com ele, por tudo o que tinha acontecido – e fofoca à parte, não foi só beijinhos não. Arrumei minhas coisas e fui me depilar naquela tarde. À noite minha mãe me deu milhões de conselhos e alertas. De manhazinha ele passou aqui e fomos. Eu nunca tinha escutado nenhum CD inteiro dele por que nossas idas e vindas da escola eram rápidas, no máximo quatro músicas. O carro dele era confortável, mas não era muito novo. O ar condicionado não funcionava direito e tivemos que ir de janela aberta. O trânsito estava bom e eu estava morrendo de sono. Conversamos sobre várias coisas, ele perguntou por que a minha amiga não tinha ido – ela até que é gostosinha – ele disse. Fala sério, homens. Cochilei um pouco e voltávamos a conversar. Nós estávamos na metade do caminho quando o carro começou a parar. Seria falta de gasolina? Se fosse, eu pensei, ele seria muito estúpido. Mas antes de eu falar qualquer coisa ele já disse que não era falta de combustível. Estávamos no meio do nada e fazia um calor dos diabos. Paramos no acostamento e eu estava suando e ele muito preocupado. Abriu o capô do carro e fiquei olhando e eu parada no meio fio tomando um refrigerante que tínhamos colocado na caixa de isopor para tomar durante a viagem. Ele ligou para o pai dele e pegou os dados do seguro. Ficamos esperando muito tempo até que um carro de apoio chegasse. E enquanto isso começamos a conversar ainda mais. Ele fingindo que estava tudo bem e disfarçando o nervosismo e eu tentando passar que não estava morrendo de calor e com um pouco de medo. Conversamos sobre as expectativas do tempo para o fim de semana e eram boas. Aproveitei o sol das nove horas e tirei minha blusa que já estava com um biquíni discreto por baixo. Ele desviou os olhos. E como já estava de short, senti o sol batendo e ele não conseguindo tirar os olhos de mim. Até quando ficávamos em silêncio, seus olhos subiam nos meus ombros e voltavam para a barriga. Perguntou se doeu para fazer a minha tatuagem que tinha nas costas. Eu disse que não. Ri. Disse que era mentira, que tinha doído muito. Ele me mostrou uma que eu nunca tinha visto, entre o fim da barriga e a parte que as calças sempre cobrem. Ele era muito atraente mesmo. Agora começava a entender o que atraía tanto as meninas da escola. A tatuagem dele era bem estratégica e deixava algumas meninas loucas. Loucas para ver ou loucas por ter visto ou pior: ter tocado. Eu tentava disfarçar minhas opiniões, mas eu não estava conseguindo. Eu estava ficando bem atraída, mas, não tinha vontade de ficar com ele como as outras meninas tinham. Se fosse para ficar, tinha que ser especial, de alguma maneira. Na praia? Ele sempre levava as meninas pra praia, não ia ser a primeira vez. Ele também estava se atraindo por mim, eu tinha certeza pelos olhares que ele me lançava. Eu não sabia como falaríamos um para o outro de nosso interesse recíproco, mesmo nenhum de nós tendo qualquer dúvida. Estava ficando cansada de ficar parada na estrada quando o carro do mecânico chegou. Ele consertou o carro em dez minutos, alertando-nos que assim que chegássemos na cidade para procurar uma oficina para ter certeza do estado do veículo. Então seguimos viagem. Ele ficou feliz e pediu desculpas. Pra falar a verdade foi bem legal ficar lá na serra com ele, afinal, o lugar tinha uma vista linda, a companhia era ótima e ainda consegui pegar uma corzinha sem que meninos me olhassem – só ele. Continuamos conversando e nem percebemos o resto da viagem, por termos chegado muito rápido. A casa era bem legal, tinha até piscina num jardim. Tinha três quartos onde dois deles estavam ocupados pelo dono da casa e mais dois meninos. O outro quarto tinha só uma cama de casal e eu percebi que ia ficar para nós dois. Gelei. Lembrei do que minha amiga falou sobre segundas intenções. Colocamos nossas mochilas lá, almoçamos e fomos dar uma volta na cidade. Os três meninos, eu e ele. Nando era o mais bonito e mais legal de todos eles. Não que os outros não fossem bonitos nem legais, mas eles não tinham o mesmo charme. O único que era mais parecido comigo era um tal de Felipe e não conversamos muito. Ao voltar para a casa, os meninos foram pintar a casa e eu fiquei na piscina tomando sol. Ouvia algumas risadas e uns comentários do tipo “que amiga bonita você trouxe”. Nando saía sempre para me perguntar se eu queria alguma coisa para beber ou alguma outra coisa. À noite saímos para um bar bem movimentado da cidade e chegamos em casa de madrugada. Dois dos meninos estavam hiperbêbados e o resto de nós não tinha bebido nada. Domingo eu acordei cedinho, antes de todo mundo, para ir a praia, quando estava tomando café-da-manhã, Nando acordou e se ofereceu para fazer companhia. Fomos juntos, mesmo ele morrendo de sono. Ficamos na praia até a hora do almoço, comemos por lá mesmo em um restaurante e mais tarde, perto do meio da tarde, os outros meninos chegaram. Ficaram azarando algumas meninas que passavam, e Nando comigo só ria, não dizia nada. Até que passou uma das meninas mais bonitas da praia e um deles disse “ei, Nando, essa é pra você” ele riu, olhou para mim e disse “não, estou acompanhado”. Na verdade, eu morri de vergonha, mas entendi como se ele não quisesse me deixar sozinha com os amigos dele. Quando foi escurecendo, ficamos em um bar à beira mar. Voltei antes com Nando para a casa e os outros ficaram. Chegando em casa tomei banho e coloquei qualquer roupa, uma de ficar em casa. Quando apareci, ele me olhou fixamente e disse que eu estava linda. Fiquei envergonhada. Ele foi chegando perto. Ele estava lindo, tinha acabado de tomar banho, também. Estava cheiroso e se viesse, eu não ia resistir. Ele estava chegando mais perto. Não ia me segurar. Foi então que ele segurou minha mão e me puxou. Eu disse “não sou suas menininhas” ele disse “eu sei” e me beijou. Fazia um tempo que ninguém me beijava daquele jeito. Fomos para o sofá e ficamos por ali um bom tempo nos beijando e conversando. Comecei a ficar com sono, ele também. Tínhamos ficado na praia o dia inteiro e estávamos cansados. Fomos para o quarto. Eu fiquei com medo de ele tentar algo a mais – e eu nunca tinha feito –, mas ele perguntou se eu me importava de ele dormir ainda comigo, agora que estávamos ficando. Eu disse que era claro que não me importava e que não tinha nada a ver. Dormimos abraçados depois de conversar e nos beijar um pouco mais. Na segunda feira acordei com um trovão, a chuva caindo e os meninos falando alto. Ainda era de manhã e quando abri os olhos e me virei ele estava parado me olhando do meu lado. Disse que eu era linda. Beijou-me e fomos tomar café. O dia, por estar chuvoso, estava desanimador e por isso ficamos em casa jogando baralho e eu aprendi vários jogos novos, como pôquer. Ficamos assim, brincando e namorando, o dia todo e na terça depois do almoço voltamos para casa. Quando ele me deixou em casa, perguntou o que eu tinha achado e eu disse que tinha sido bem legal. Ele perguntou de nós. Eu respondi que não sabia de nada, que era melhor deixar rolar. Ficamos mais umas semanas e depois fomos nos afastamos como “namorados” e voltando a ser só amigos, e até hoje somos bem amigos. É claro que todas as meninas ficaram com inveja de mim porque tinha prendido o cara que todas queriam. Era legal ver as meninas morrendo de vontade de ser eu e os caras quererem ser ele – não por causa de mim, mas por ele ser ELE – só que não estava feliz ficando com ele. Aprendi que é legal invejada, mas não vale a pena se você não está feliz.
Categoria: Érica, a sempre forte.
Escrito por Gabi Pagliuca às 10:28
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Oliver
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Era uma viagem longa de dezesseis horas de ida e outras de volta. Fui sozinha com minha melhor amiga e ficamos na casa de uns parentes dela numa cidade longe do centro. Ficaríamos uma semana, chegamos numa quarta na hora do almoço e iríamos embora noutra quinta à tarde. Tínhamos uns catorze anos e estávamos no auge do nosso espírito de aventura! No primeiro dia que chegamos, ficamos um pouco na rua ouvindo música e conversando. Estavam lá, na rua, dois meninos simpáticos que puxaram assunto com a gente. Chamaram-nos para ir a um bar e rejeitamos o convite. Conversamos muito e quando começou a ficar tarde resolvemos entrar para jantar e dormir. Tínhamos resolvido ir ao centro na manhã seguinte. No começo da noite seguinte eles apareceram de novo na rua e fomos andar com eles pelo bairro. Oliver estava encantado por mim, nas palavras dele, por eu ser diferente e descolada. Espantei-me pelo fato de ele ser assim também. Bem bonito, uma conversa bacana, gostava de algumas bandas que eu e minha amiga também. Ele se aproximou mais de mim e ficamos. Todos os dias sucederam assim: eu e minha amiga íamos para o centro de manhã, ficávamos lá o dia inteiro e quando voltávamos, não íamos para a casa direto, tinha uma praça onde passávamos o fim das tardes e à noite ficávamos na rua, em frente a casa. Depois de três dias, ficar com ele não estava mais sendo tão legal. Fui descobrindo que ele nem era tão compatível comigo e ele começou a falar, de repente, que estava apaixonado. Comecei a ficar entediada, fugia dele e chegou o dia de irmos embora. Ele até chorou. Eu não terminei com ele nem nada porque achava que já era subentendido que não íamos continuar juntos, afinal, eram dezesseis horas de distância. No dia que cheguei em casa, ele me ligou. Falou que já estava com saudades e que ia procurar um emprego aqui no meu estado, talvez na minha cidade. Eu disse que não era para ele tomar nenhuma decisão precipitada. Ele não entendeu nada. Nas outras vezes que ele me ligou eu não atendi. Uns dias depois saí com a mesma amiga e mais uma. E ele ligou. Quem atendeu não fui eu, foi minha outra amiga. Ele ficou falando com ela como se fosse eu, perguntou o que havia de errado porque ele – só para ele - me conhecia e sentia algo estranho rolando. Foi então que essa minha amiga que terminou com ele por mim. Disse, fingindo que era eu, que não dava para continuarmos juntos com tantos quilômetros de distância. Ela me disse que ele chorou e disse que estava tudo bem, mas que eu – no caso, ela – estava muito estranha. Claro que estava estranha, não era eu. Ele gostou mesmo de mim, foi bem carinhoso e chiclete. Ninguém é perfeito. Ele era legal, mas mesmo se morássemos perto, não ficaria com ele mesmo. Acho que desde pequena fui muito exigente.
Categoria: Érica, a sempre forte.
Escrito por Gabi Pagliuca às 10:27
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Júlio
(antes de ler esse post, leia o primeiro post da categoria "érica, sempre forte")
Eu tinha acabado de fazer 13 anos e nunca tinha beijado ninguém e todas as minhas amigas da escola já. Não que fosse um problema pra mim, eu me preocupava tan |
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